Homens e livros

Débora Coutinho (binhacoutinho@yahoo.com.br)

 

Integrar-se, eis uma das inúmeras buscas do indivíduo. Há entre nós a necessidade de interagirmos com o coletivo, e a principal ferramenta que utilizamos para nos interligarmos é a comunicação. Em primeira instância nos valemos do choro, e com o passar dos anos rebuscamos essa comunicação com o auxílio da fala e, por fim, da escrita. A leitura não só nos integra como participa direta ou indiretamente da nossa própria evolução individual; por isso mesmo ela se torna um pilar fundamental da nossa sociedade.

 

É notável a fragilidade desse pilar, uma vez que grande parte da população atual não se inclina à leitura, preferindo a cultura do “ágil, fácil e pronto” dos domínios da internet. Essa substituição é preocupante, pois interfere nos planos socioculturais da humanidade. A cultura massificada que não valoriza a leitura ameaça a compreensão dos mecanismos sociais nos quais estamos inseridos.

 

Ler possibilita ao indivíduo expandir sua concepção de mundo, aproximando culturas, permitindo a tolerância e o conhecimento ao que nos é estranho. Faz-nos questionar posições (e imposições), tira-nos da inércia do consumismo puro e inconsciente e nos motiva a procurar respostas.

 

Integrar-se não se resume a aceitar conceitos. Talvez provenha daí a insatisfação que assola a todos hoje em dia. Integração requer estudo, análise conhecimento, e nada disso é possível de se obter em sua totalidade sem a leitura. Esta insere o indivíduo na humanidade, tornando-o consciente de suas responsabilidades, permitindo assim as mudanças. São estas últimas, aliás, as alavancas para a evolução da sociedade, pois permitem a concretização dos erros e dos acertos que nos regem e que nos regerão.

 

Os livros nos possibilitam um amadurecimento através da “vivência” de experiências que talvez nunca nos ocorresse. Aquele que lê amadurece intelectualmente e compreende o mundo com menos dificuldade a partir do momento em que se despe de preconceitos. Só se livra dos preconceitos quem se aventura em culturas que lhe são estranhas. Afinal, está aí o principal papel do livro: apresentar os seres humanos uns aos outros.

 

Uma vez apresentados, é possível iniciar o diálogo, compreender impasses, buscar soluções. A leitura nos integra e nos permite evoluir. Para o desenrolar da nossa História, precisamos não só de homens que vivam, contestem, errem e aprendam, mas também de livros que nos recordem os feitos e que nos inspirem ações ou reações novas. Em suma, como diria Monteiro Lobato: “um país se faz com homens e livros”.

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Um pensamento sobre “Homens e livros

  1. Débora, parabéns por seu texto.
    De forma muito singela, ele aponta resoluções de compreensão para um dos maiores questionamentos dos jovens e, muitas vezes, dos adultos: para que serve a leitura?
    Beijos.
    Rô.

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