Repúdio à homofobia do programa eleitoral da Marta

 Se você conhece um pouco de etimologia, sabe que política vem de pólis, cidade em grego. Mas se não sabe, talvez saiba que o animal político a que se refere Aristóteles é aquele que se preocupa com o bem comum. Fragmentações partidárias de lado, a função do político deveria ser zelar pelo espaço público que irá administrar. Obviamente, se teoria e prática convergissem numa só idéia e realidade, este texto não existiria. Eis o ponto.

 

 Domingo passado foi um dia raro. Mais importante que Nossa Senhora, as Crianças, o Descobrimento da América ou o primeiro aniversário do meu gato caçula – o Ludovico – foi a TV ter ficado ligada. Nem sei que horas eram quando apareceu a vinheta da candidata Marta Suplicy questionando o misterioso passado de Gilberto Kassab. De início, nada de anormal, pois de fato é importante acompanhar a trajetória pública de quem será o grande responsável pela condução da cidade. O problema é que a coisa não parou por aí. O locutor petista indagava se Kassab era casado e se tinha filhos. Partindo do pressuposto de que a Marta não nasceu ontem, o bom entendedor percebe de cara que se anunciava – a todos que ainda não sabiam – a homossexualidade do candidato do DEM.

 

 Trata-se de baixaria. Ainda que o coordenador da campanha tente disfarçar, a verdade é que a candidata ultrapassou os limites que deveria haver entre o particular e o público. Até aí, nenhuma novidade. Na década de 1930, Sérgio Buarque de Holanda, no seu Raízes do Brasil, já destacava a confusão entre o público e o privado como característica do “homem cordial”. Alguns poderão se espantar: mas a Marta que sempre defendeu a minoria… Isso que dá a minoria não se defender com suas próprias armas.

 

 Nada do que eu escrevi indica que o Kassab será um bom prefeito. Nem acho que valha a pena alimentar esse tipo de sentimento. Já escrevi aqui sobre a nociva dependência do indivíduo em relação ao Estado, mas não pretendo me repetir. Um sujeito cujo blog sempre recebe minha visita resumiu muito bem essa idéia: Em política, só o ceticismo em relação ao Estado salva.

 

Link da baixaria: http://www.marta13.can.br/videos_comerciais.php?videoId=457

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14 pensamentos sobre “Repúdio à homofobia do programa eleitoral da Marta

  1. Quer dizer que o Kassab é homossexual?
    Porque homofobia é contra alguém que È homossexual..

    O que eu vi da campanha da Marta é uma pergunta:

    É casado? tem filhos?

    e esse blog vem e esclarece que o Kassab é homossexual.
    Obrigado, estava na dúvida sobre se ele é gay ou não…

  2. Isso é desespero por parte da Marta. Mas não tem problema, ela não tem mais chances

    Daqui umas semanas ninguém mais se lembrará dela, a não ser pelo Relaxa e Goza.

  3. Adorei o texto. Mas infelizmente, na política brasileira, a baixa qualidade de argumentos e a tentativa de se usar preconceitos que deveriam ser erradicados em benefício próprio é ainda muito ultilizado!
    Se o Kassab é homossexual ou não, isso não apresenta nenhuma importância quando o visto como figura política, isso na minha concepção, é claro!

  4. Eu não entendo o porquê da preocupação com o fato de Kassab ser ou não homossexual.Infelizmente ela se vale desses argumentos porque sabe que nossa sociedade patriarcal e retrógrada poderia não votar em determinado candidato por sua orientação sexual.Eufemismos á parte,quem se importa se ele é ou não gay?O importante é trabalhar por essa cidade caótica e sem planejamento.
    obs:Você é muito esperto Rô,eu nunca me daria conta dessa “segunda” intenção do marqueteiro da Marta!!

  5. “Ora, eu acho que ele deveria se assumir” – uma colega.

    Ok, também acho que ELE deveria assumir, jamais a Marta poderia dedurá-lo.

    O respeito ao indivíduo deveria ser uma premissa àqueles que pretendem representar o povo (povo, aqui, deve ser entendido como toda a população; não apenas os pobres), mas o que se vê são invasões de privacidade (esse valor burguês?) e imposição da falta de pudor (que falso moralismo! o relaxa e goza foi apenas uma piada).

    Por mais que encontrem desculpas na retórica do coletivismo massificador, ficarão sempre à margem da verdadeira dialética.

  6. Por isso ninguém acredita em política. O que tem a ver expor alguém desse jeito?
    Acho que por essas e outras que a Marta vai cavando fundo sua cova.
    Byyyyyyye, Johnny!

  7. Sim, Helô.

    Aliás, ele foi encenado hoje na feira cultural.

    Agora estou com outras peças na cabeça. Vamos ver quando elas pulam para o papel.

  8. Pingback: Adjetivações « Mutuca

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