Conspiração do universo?

João Francisco Ferreira de Souza

            Existem registrados na história vários famosos feitos e descobertas que, aparentemente, começaram com um acaso ou lance de sorte. Kekulé, ao sonhar com uma cobra mordendo a própria cauda, foi capaz de criar um modelo para a estrutura do benzeno, substância química importantíssima para a sociedade moderna. Isaac Newton, ao ser atingido na cabeça por uma maçã em queda, começou os esforços científicos que resultariam na mecânica gravitacional. A invenção do velcro foi feita por um suíço que, após um passeio no parque, ficou impressionado com os poderes adesivos do carrapicho. Mesmo em épocas, regiões e áreas de atuação diferentes, essas três figuras históricas apresentam muito em comum.

            Sexto sentido, intuição, pressentimento, cisma: vários são os nomes para a voz do inconsciente. Através de um processo pouco conhecido pela ciência, nosso cérebro é capaz de trazer à luz pensamentos formulados inconscientemente. É o início de uma idéia. E todas as idéias trazem questionamentos junto consigo. Talvez o velcro não tivesse sido inventado se há algum tempo não houvessem se perguntado: por que o carrapicho gruda tão bem nas roupas? Seria possível imitar tal mecanismo?

            A idéia, o questionamento, a busca por respostas. Muitas pessoas já foram atingidas por maçãs em queda livre e o Brasil é o país mais rico em carrapichos do mundo, mas foi Newton que descobriu a gravidade e foi um suíço o inventor do velcro. O que separa esses extraordinários cientistas da maioria de seus contemporâneos é que eles foram capazes de perceber a realidade de uma maneira crítica, notando aquilo que passou despercebido por todos os outros. A partir daí, a repetição exaustiva de experimentos e o uso da razão para montagem de uma teoria foi imprescindível para o sucesso.

            Outra característica comum entre grandes cientistas é a tenacidade, pois nem sempre os modelos teóricos funcionam na prática, sendo necessário reformulá-los. A convivência com erros é uma constante, servindo aquilo que fracassou como aprendizado e estímulo. Einstein teve de reformular sua teoria várias vezes até que chegasse à fórmula definitiva que o deixaria eternizado: E = m.c².

            Grandes homens foram, antes de tudo, grandes observadores, que souberam lidar com fracassos, usando a mais poderosa ferramenta humana: o cérebro. Intuição e tenacidade misturaram-se na História e daí surgem grandes idéias e descobertas que sustentam nossa base de conhecimento até a atualidade.

           

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3 pensamentos sobre “Conspiração do universo?

  1. Muito interessante a abordagem do tema! Acho que trata-se de um dos textos mais bem feitos que já li! Sem comentar os exemplos essencialmente de ciências EXATAS (S2) citados!! rs*…

    “eles foram capazes de perceber a realidade de uma maneira crítica, notando aquilo que passou despercebido por todos os outros.” – Descrição de futuros engenheiros!! 😀 (segundo diretores da Poli em palestras!) – ADOREI!!

    Estava com saudades das suas postagens!! Sem recessos novamente, ok?? rs*

    bjos*

  2. QUE TEXTO MAGNÍFICO.
    Abordagem sensacional, além de MUITO bem escrito, na minha opinião.
    Não utiliza de um vocabulário complexo e acho que trasmite a mensagem de maneira muito clara e filosofa em todos os parágrafos.
    Muito bom mesmo.

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