Brincando com fogo

Tu descansas no quintal da casa da avó. Em poucos instantes, saberás dos perigos que se escondem nos vergeis. Uma borboleta, irrelevante a tudo isso, pousa na papila de uma flor. Queres tocá-la; de teus dedos, porém, ela não quer o toque. Teu hálito a espanta, algumas folhas a escondem. As mãos, curiosas, não a querem perder, e os dedos, ligeiros, serpenteiam em busca da presa. Ígnea dor na pele vermelha denuncia-se no grito: mãe, queimei a mão! A mãe, porém, não acredita. Não há fósforos ou fogo no quintal. A menina anda imaginando coisas, suspira à xícara de café. Tu, desapontada, deixas os olhos adentrarem-se nas folhas. E não é que a mãe não estava de todo enganada? Era, sim, um fogo falso, um fogo mentiroso, mas que igualmente queimava. Dizes tchau à taturana e sossegas o facho. A borboleta já não estava mais lá.

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