Meus haiquases

Ainda que morrendo
O canto das cigarras
Nada revela
.
Matsuó Bashô
(tradução de Olga Savary)

O homem médio só sabe falar dele mesmo. Foi mais ou menos isso que eu li dia desses em Memórias do Subsolo, de Fiodor Dostoiéviski. Quando otimista, como agora, consigo me considerar um homem médio, e como não sei falar de mais nada a não ser de mim, resolvi aproveitar a deixa para analisar alguns textos meus.

Há dois gêneros literários pelos quais venho me interessando ultimamente. O primeiro deles é o aforismo, a frase curta, de efeito, que consegue sintetizar um determinado raciocínio. Nos textos machadianos, por exemplo, podemos encontrar diversas frases curtas que seriam ótimos aforismos: “Há criaturas que chegam aos cinqüenta sem nunca passar dos quinze” (A Mão e a Luva), o qual poderíamos comparar com “A juventude é ótima, pena que seja desperdiçada com os jovens”, de Bernard Shaw. Cada uma delas, do seu jeito, a seu modo, repelem as idealizações tão costumeiras que se fazem, respectivamente, à velhice e à juventude. O leitor, então, é convidado a refletir e, quiçá, a contestar as máximas que não raro se nos são oferecidas dia após dia.

A contraposição de ideias, aliás, é uma boa ferramenta para a construção do aforismo. Afinal, este, por se opor ao conservadorismo preguiçoso das frases feitas que são repetidas à exaustão, quando bem feito, busca justamente estimular o raciocínio, balançando nossos conceitos, fomentando o pensar. Desse modo, já que os livros de auto-ajuda enfatizam tanto o planejamento, o futuro, me senti estimulado a criar um aforismo que questionasse essa perspectiva: Não hipervalorize o futuro; quando chegar, ele não durará mais do que um instante. Talvez haja quem veja no meu aforismo uma paráfrase do famoso Carpe diem quam minimum credula postero, mas – insisto – ao optar pela litote evitei o tom afirmativo e categórico que daria ao aforismo tons de máxima. Daniel Piza, na introdução de seu livro sobre o assunto, sintetizou bem a questão: “Os melhores aforismos […] são os que usam verbos como ‘ser’ e formas como o imperativo de uma forma relativista, não com a pretensão de criar juízos definitivos sobre o comportamento humano”.

O segundo gênero a que me referi é o haikai, o poema curto de origem japonesa, onde muitas vezes encontramos uma falsa simplicidade sintetizando belezas ímpares. Aqui no Brasil, diversos autores o cultivaram, desde Guilherme de Almeida (o qual aprisionou o poema japonês em rígidas formas parnasianas) a Paulo Leminski, passando por Millôr Fernandes, do qual retiro este belo exemplar que, coincidentemente ou não, tem muito a ver com o aforismo que deixei lá em cima:

A vida é um saque
Que se faz no espaço
Entre o tic e o tac.

Quando li esse haikai, a primeira coisa que me veio à cabeça foi uma bonita música do Vitor Ramil em que o cancionista consegue fazer melhor que  Millôr, pois transmitiu a ideia tanto pelas palavras quanto pelo malabarismo fonético com que intercalou aliterações oclusivas e assonâncias deslizantes.

Bem, voltando agora à mediocridade daquele que só sabe falar de si mesmo, vou analisar alguns de meus textos recentes. Nada direi sobre os cinco aforismos que escrevi tempos atrás, considero-os crescidinhos o suficiente para que se defendam sozinhos. Falarei então dos meus haikais, aliás, haiquases, visto que faltando-me habilidade para criar algo decente, optei por mesclar (assim ingenuamente creio) a sutileza do epigrama japonês com o tom incisivo da frase curta que os gregos nos legaram. (Não vá embora, leitor. Aforismos e haikais são textos curtos, daqueles que a gente lê sem perceber. Quando acabar, você nem perceberá o tempo que perdeu).

Fim de tarde
A borboleta repousa
no sino
O padre atrasa o sermão.

O primeiro verso faz referência às 18 horas, momento em que se costuma entoar o famoso cântico de Bach / Gounod em homenagem à virgem Maria, momento em que os sinos da igreja costumam projetar aquele som forte e penetrante. No entanto, a borboleta, símbolo da ingenuidade e fragilidade, repousa no sino, colocando o padre perante uma difícil questão: cumprir com um costume de sua religião ou deixar que a pequena e frágil criatura de Deus continue seu repouso? Enquanto reflete sobre as formas abstratas e concretas com que o espírito religioso se manifesta, o padre deixa seus fiéis esperando enquanto contempla a borboleta.

No segundo verso, creio ter usado um kakekotoba, figura de linguagem japonesa que consiste na associação de ideias que uma palavra gera em relação a outra. Desse modo, o verbo “repousa’ guarda em si o movimento com que a borboleta chegou ao sino, justificando assim a quebra do verso em dois, como se eu desenhasse no verso o pousar do pequeno inseto.

Feriado
taco fogo
no formigueiro.

Nesse haikai, é possível perceber facilmente o encadeamento das assonâncias (feriAdo, tAco; fOgo, fOrmigueiro) o que, em si, serviria apenas para deixar os versos gostosos de se ouvir (ou enjoativos, depende do gosto). Há, porém, um elemento sonoro mais significativo para o poema. A aliteração das consoantes fricativas (Feriado, Fogo, Formigueiro) sugerem o ar que se sopra ao fogo para que este se espalhe. Já em relação ao conteúdo, é importante observar a antítese entre feriado (símbolo do descanso) e formigueiro (símbolo do trabalho), o que explicaria a postura um tanto macunaímica do eu lírico.

No inverno
o sol é ilusão
do vento.

O inverno nem chegou, mas acho que todo mundo aqui em São Paulo entende bem o que quero dizer.


solidário
o silêncio.

Há aqui outra tentativa de praticar o renso. O raciocínio raso sugeriria ao segundo verso o adjetivo solitário, o qual seria bastante pertinente, mas daria ao poema um tom demasiado negativista. Valendo-me do princípio do aforismo, procurei contestar esse lugar comum, insinuando que o silêncio, às vezes, pode nos ser uma sólida companhia.

Achei na internet um haikai de Bashô, o grande mestre japonês:

E tu, aranha
como cantarias
neste vento de outono?

O poema, no entanto, ficou a desejar (refiro-me claro à forma com a qual ele se apresenta em nosso idioma). Há nele um tom excessivamente didático. Buscando dar um toque a mais de sutileza, fiz este haiquase de dois versos:

Aonde se esconde
o canto da aranha.

Em que a preposição a aponta para o lugar onde se esconde uma preciosidade da natureza, da qual poucos podem usufruir. A sequência das nasais, não por acaso, procura tornar a pronúncia leve e sutil, pois o barulho atrapalharia a busca.

O galho seco
sustenta o corvo.

Para terminar, quero falar sobre meu haiquase favorito. Acho que ele admite quatro leituras. Vamos a elas:

1 – O galho seco sustenta (segura) o corvo;
2 – Pela técnica do renso: O galho seco sustenta o corvo. Mas como denotativamente isso não faz muito sentido, teríamos: A morte é tentada (atraída) pela velhice;
3 – O galho seco sustenta o corvo (a velhice alimenta a morte). E por último:
4 – O galho seco sustenta o corvo (a velhice resiste à morte).

Caso eu soubesse pintar, faria em sumiê justamente essa imagem.

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98 pensamentos sobre “Meus haiquases

    • Nazivon, você já praticava antes?

      Gostei da imagem do seu hai kai. Acho, porém, que ele ficaria mais bonito se as palavras fossem um pouco mais sintetizadas.

      O primeiro verso está bacana:

      # Na floresta, a calmaria.

      Mas o segundo combina mais com o terceiro do que com o primeiro, causando um “ruído” na leitura. (tonta não tem muito a ver com calmaria). Desse modo, acho que ficaria interessante algo como:

      # E a folha desperta
      # pela voz do vento.

      Assim a gente mantém o duplo sentido (folha – mato movida pelo vento; folha – papel movida pelas palavras).

      Note, aliás, que os dois versos finais (5 sílabas) ficaram bem calminhos, não?

      Abraços.

  1. oi professor, fala para os alunos sobre meu blog?

    O blog é cpdelta.blogspot.com
    ou
    clubpenguintimesbr.blogspot.com

    Nós podemosconnversar la no chat que eu tenho

    Tchau

    • Guilherme, eu tiraria o “pequeno” por dois motivos:

      1) ele evoca um haikai que vimos faz pouco tempo;
      2) ficará mais sutil se escondermos o elemento comparado.

      Veja que se deixarmos assim:

      tal qual um gafanhoto
      que salta sobre as nuvens
      até encontrar o fim

      ficará com métrica regular e pé na segunda, na quarta (ga é a segunda sílaba mais forte da palavra) e na sexta.

      Abraços

      • Prof. quero que vc me ajude a montar um
        haikai com esse começo :
        voce ve ou nao ve o cometa
        tem uma ou outra opsao

        Oque vc acha melhor prof. sera que tem que mudar alguma coisa
        A e eu pensei nesse haikai na aula que vc disse:
        “aparece um cometa e vc fala que vai comer um “miojo” e de pois volta para ver de novo”

    • Nazivon, gostei do sentido do hai-kai.

      Note agora o processo para lapidarmos a estrutura.

      Por enquanto, ele tem 5/7/7. Que tal o deixarmos com a estrutura típica 5/7/5?

      O pássaro migra,
      mas,com saudade do ninho,
      volta para casa.

      Continue escrevendo. Está ficando cada vez melhor.

      Abraços.

  2. oi professor, nao fala para classe sobreo “blog”do marcos era eu, era uma brincadeira de primeiro de abril, enquanto ao blog, eu achei no google.

  3. A se posivel tente comentar este haikai na sua aula para eu ver se os outros gostam do meu haikai
    mas tente fazer um misterio com os alunos de quem e o haikai no final que vc comentar pergunte para seus alunos e meus amigos se esta bom

    • Wilhelm, o primeiro verso me parece claro/didático demais.

      Caso queira falar sobre a fugacidade do momento, pense num elemento da natureza que mereça seu prestígio (As conchas que as ondas trazem à praia, por exemplo); Depois pense em como retirar algo de poético dessa imagem (As conchas correm à praia); Acrescente o desejo de prender o momento (Penso capturá-las) e depois a desilusão (na nuvemd e areia).

      Note que não foi conseguida uma metrificação rigorosa. Não importa, isso talvez lhe sirva de estímulo.

      Abraços.

      • Ta prof. mas me ajude a formar um haikai ou um “haiquae” com um sentido de amor pela natureza com um começo que seja de um modo muito agradavel

        xau ae a sua aula ou ate uma respos no seu bolque

  4. Professor, o comentário que parece estar com meu nome, realmente foi uma brincadeira de mau gosto do meu amigo Thiago Zhom, que achou o site do comentario no google, este site não é meu ok?

  5. Professor o comentario que esta em meu nome, realmente não é meu, foi meu amigo Thiago Zhom que fez esta brincadeira.

  6. ai vai um haikai edição pascoa:
    Os ovos que ganhamos
    nao são do coelho
    mas,sim do homem

    Prof. vc poderia me falar se esse haikai esta bom ?Se sim me responda

    • eu quis dizer nesse haikai que quase tudo que vemos e feito pelo homem ate um ovo de pascoa que antigamente eram ovos de verdade pintados

  7. Ai vai alguns dos hai kais que preparei:

    Dia de chuva
    Raios no céu
    Luz do sol

    O som é grande quando
    Alcança o rio a gota d’água
    Que de uma árvore caiu.

    Quando tocamos a floresta
    Respiramos suas palavras
    E notamos o mundo o culto

    Isso é tudo, você deve ter pensado que “esses hai kais são ruins porque não tiveram muita inspiração, afinal foram feitos no mesmo instante” mas estes são hai kais que aperfeiçoei e que tinha criado ja faz algum tempo ok?

  8. Oi professor,

    quero começar a escrever hai kais, também.Talvez o que vou escrever agora não seje um hai kai, e sim um poema:
    A chuva vem cantando
    agrada plantas e árvores
    o ser humano se sente
    feliz ou triste?

    • Achei este poema meio estranho, talvez transparente demais, talvez desconexo demais.

      Veja alguns probleminhas:

      1 – árvore é uma planta, logo temos um pleonasmo no segundo verso (que nem em: gosto de frutas e laranjas, gosto de pessoas e mulheres, gostos dos meus parentes e da minha avó etc.);
      2 – o texto sugere uma oposição entre o sentimento das plantas (devido ao cantar da chuva) e da humanidade GENERALIZADA, como se todos os homens fossem ficar felizes ou todos fossem ficar tristes;

      A estrutura lógica lembra-me um KOAN (conhece?). Se foi proposital, ok, mas o leitor deveria ter sido avisado do tipo do texto.

      Abraços e até hoje, caso você seja a Ying Liu, ou até terça.

  9. Voce gostou do meu pominha?Talvez eu prescise aperfeiçoar um pouco não é?

    Como o senhor sabe se sou da Ana Rosa ou de Valinhos?
    e a sala?

    • Você, Sophie, é de São Paulo. Poucos de Valinhos conhecem a expressão “Ana Rosa”. Para eles, há dois Etapas: Valinhos e São Paulo. De modo geral, são os de S. Paulo (nem todos) que sabem das unidades Frei Caneca e São Joaquim.

      Além disso, como você se chama Sophie, provavelmente, estuda na 59 (lembro-me de ter ouvido este nome lá).

      Acertei ou não?

    • Victor, não entendi uma coisa. Se a noite é fria e mortal, como ela pode ser serena? Acho que os adjetivos não combinam.

      Algo como “Noite serena / escuro frio / e acolhedor” me soa mais equilibrado. Deste modo frio (adjetivo com carga semântica negativa) compete com acolhedor (adjetivo com carga positiva), gerando “serena”.

      Acho importante que você continue escrevendo. Não sei se você concorda, mas o processo de escrita e correção é estremamente importante para a evolução da escrita e da maturidade linguística.

      Abraços.

    • Vitor, tembem te elogio por começar a escrever hai kais, mas olhe e pense um pouco.
      Seu hai kai ficou bom, mas da um aspecto aterrorizante.
      Você não deve ter notado mas ai se esconde um paradoxo, observe os dois ultimos versos, “fria e MORTAL”, “ETERNAMENTE”. Mortal, seria aquilo que vai morrer algum dia, mas só que como eu vou morrer se minha vida é eterna?
      Abraços

    • Marcel, o texto está bem escrito. Mas não sei se ele tem a cara do haikai.

      Na verdade, acho que pouco importa. Sabe uma coisa que seria bacana? Você pode transformar esses versos em prosa e contar uma história, que tal?

      “Reinam as sombras. Até que uma luz bem pequena aparece e se torna grande. […]”

      Onde será que acontece essa história?
      Quem vive lá?
      Quem estava escravizando as pessoas? Quem estava instaurando as sombras?
      Quem é essa pequena luz que se tornará grande?
      Como ele vencerá o mal?

      Por que você não tenta transformar isso numa história? Acho que ficaria legal.

      Sem contar que você pode colocar uns haikais escondidos no meio dela.

      Diga-me o que você acha.

      Abraços.

    • Marcel, gostei de seu animo para escrever hai kais, mas você poderia usar outras palavras, tente se inspirar em poetas como:

      Das sombras obstantes
      Perturbante a luz
      Que gospe seu poder

      Ok Marcel?

  10. Lá vem outros:

    Frio da noite
    A pomba morre
    Vem a manhã

    Sangue escorrendo
    Pombas voando
    Disparos ao céu

    Passos na mata
    O gato foge
    Mas é tarde demais

    • Nazivon, a pomba do primeiro poema seria a Lua? Se for, talvez seja interessante mudar o primeiro verso para “fim da madrugada”.

      Caso a pomba simbolize a paz, por que ela morreria?

      ***

      Acho que um pássaro vermelho combinaria melhor com a imagem do segundo poema.

      ***

      O que o gato estaria fazendo na mata?

      ***

      Acho que esses textos merecem uma revisão.

      • Nazivon, tente apreciar outros detalhes da natureza, não só as aves (pombas), note que nos seus três hai kais tem alguma ave na historia, e dois deles são sobre pombas, então nesse seu primeiro hai kai concordo com o professor poderia ficar assim:

        Frio da noite
        A lua morre
        Nasce a manhã

    • Willian, não sei se você notou mas nesse hai kai tem kake-kotoba, veja a palavra renascer, tire o RE que fica NASCER, notando isso, você descobre a antítese do primeiro verso e último verso.
      Quando criou ele pensou na visa inteira de um ser humano?
      o primeiro verso NASCER, e o último MORRER.

      • Marcos, na verdade há antítese mesmo com o RE (prefixo que significa “novamente”). Nos casos de prefixo, se não me engano, não se considera kake-kotoba.

        ***

        Novamente, obrigado pela atenção dada aos textos dos seus colegas.

    • Este hai kai ainda está misterioso para mim.

      Pergunto-me a ligação entre as árvores renascidas e os animais mortos.

      Talvez você tenha pretendido ilustrar uma floresta queimada: os animais morrem, mas algumas árvores conseguem renascer. Uma imagem bonita, sem dúvida.

      Caso a ideia seja essa, William, eu acho interessante fazer algumas mudanças.

      1ª opção:

      animais mortos [anúncio da tragédia]
      cinzas [explicação da tragédia]
      árvores renascem [esperança]

      2ª opção:

      árvores renascem
      após o fogo
      ainda há cinzas

      Por quê?
      Os dois primeiros apresentam o índice da força e resistência da natureza. O último nos mostra que mesmo assim não podemos nos esquecer dos males praticados contra ela.

      ***

      Caso não tenha sido essa a sua ideia, sinta-se à vontade para me corrigir.

      Abraços.

  11. Oi professor vê se o senhor gosta deste meu outro hai kai:
    “uma gota florestal
    onde resplandece uma luz
    nasce um reluzente broto”

    • Willian eu gostei de você tambem começar a praticar haikais, nesse daí aconselho a tirar o florestal do primeiro verso, e tirar o reluzente do último verso, mas que diminua a metrificação do primeiro verso por um motivo. Sabe aquele soneto do gato morto? O último verso não segue metrificação pois representa o gato morto, que nem nesse haikai:

      O primeiro verso só é uma gota.

      • Marcos,

        Fico muito feliz por você se lembrar da estratégia do “gato morto”. É sempre uma satisfação saber que aquilo que dizemos não se apaga quando bate o sinal.

    • William, cá entre nós: ainda bem que o Marcos apareceu para dar uma força, pois nos últimos dias estive muito atarefado.

      Lendo seu hai kai após a sugestão dele…

      uma gota
      onde resplandece uma luz
      nasce um broto

      … noto mais leveza. Os adjetivos que ele retirou deixavam a natureza menos natural e mais artificiosa.

      Escrever é reescrever. O processo está me agradando.

  12. Olá professor…Mutuca.Eu vou por aqui um poema(não considero assim,mas)meu,espero que goste:

    Um
    Dois,pois
    Três,sim,é
    Quatro,pois é
    Cinco,mas é claro
    Seis,muito,muito claro
    Sete,todos já sabiam
    Oito,todos já perceberam
    Nove,se ainda não viu,verá
    Dez,e acaba assim esta poesia

    Então professor?Gostou da métrica?

  13. Olá professor…Mutuca.Eu vou por aqui um poema(não o considero assim,mas)meu,espero que goste:

    Um
    Dois,pois
    Três,sim,é
    Quatro,pois é
    Cinco,mas é claro
    Seis,muito,muito claro
    Sete,todos já sabiam
    Oito,todos já perceberam
    Nove,se ainda não viu,verá
    Dez,e acaba assim esta poesia

    Então professor?Gostou da métrica?

  14. Olá professor.Sim,eu sei,eu mudei o nome.Mas eu apenas quero perguntar uma coisa:O quê é verso…
    Alexandrino
    Heroico
    Sáfico
    Martelo
    Gaita Galega

    • Alexandrino = 12 sílabas
      Heroico = decassílabo com tônicas na 6ª e 10ª
      Sáfico = este é meio bagunçado; é quando a tônica está na 3ª ou 4ª e na 7ª ou 8ª. Diz-se que quando o decassílabo não é heroico, é sáfico.

      Martelo e gaita galega? Isso está além do meu vocabulário. O meu amigo Mário, professor do EM, que manja bem de versos populares. Em todo caso, pesquisei para você.

      Pelo que eu li, “Martelo agalopado” é uma espécie de heroico com tônicas nas sílabas 3, 6 e 10. E “Gaita galeca” é um outro nome para o sáfico.

  15. Pingback: Nowhere, boy… « Mutuca

    • Ixi… Vou ver agora. 😦

      Acho que os alunos estão gostando. Mas é bom esperar um pouco mais para ver se eles continuam gostando.

      Seu irmão não vai aproveitar?

      Vai ao clube de leitura na próxima terça? Será sobre o poema “O corvo”, do Edgar Allan Poe. Eu que vou mediar o debate. 🙂

      • Gostei do curta.

        Quando o velho falou com o porteiro, já deu para sacar o que rolava.

        Num sentido mais amplo, admito que muitas vezes a gente sente falta daquilo que nos irrita – e muitas vezes a gente pratica aquilo que nos irrita.

        Obrigado pela dica.

  16. Continue aproveitando.
    E tente ficar para o clube. Se for o caso, peça para seus pais te pegarem quando acabar. É uma experiência que costuma valer a pena.

  17. Professor, eu tenho que fazer uma análise da música Língua do Cetano Veloso para as aulas de OBL, você acha que ficou boa?

    Análise da música Língua (Caetano Veloso)

    A classificação quanto à rima da música ela os versos são versos brancos e quanto à métrica da música os versos são versos livres, utilizados pelos modernistas.
    Ele faz citação Luís de Camões, um dos principais autores da Língua Portuguesa, autor d’Os Lusíadas.
    Ele faz referência à confusão da prosódia parte da gramática que se ocupa da pronúncia das palavras, na Língua Portuguesa, o que ocorre muito no Brasil de acordo com a região de onde o falante veio.
    No quarto verso ele menciona a abundância de paródias que a nossa língua possui.
    Ele diz que gosta de ver o Pessoa, autor num dos principais poetas portugueses, comparado, muitas vezes, a Camões, famoso por seus pseudônimos, como Alberto Caeiro.
    Ele diz que gosta de ver a rosa no Rosa, famoso pelos romances que são quase sempre ambientados no sertão, como em Sagarana, e pelo uso dos dizeres populares e regionais.
    Quando ele diz que a poesia está para a prosa assim como o amor está para a amizade ele quer dizer que os dois estilos são semelhantes, na Língua Grega filo pode significar ou amor ou amizade, e depois ele acrescenta “E quem há de negar que esta lhe é superior?”.
    Quando ele diz “e deixem os Portugais morrerem a míngua” ele se refere a Língua Portuguesa de Portugal que não aceita tão facilmente as mudanças como a Língua Portuguesa do Brasil.
    Quando ele diz “Flor do Lácio Sambódromo…” ele faz referência à frase de Olavo Bilac que a Língua Portuguesa é a última flor do Lácio, região central da Itália onde se originou o Império Romano, logo ele diz que o Português é a ultima língua que nasceu do Latim.
    Quando ele diz “Lusamérica latim em pó” ele se refere ao Brasil que a Língua Portuguesa falada no Brasil variou muito do Latim, é o Latim em pó.
    Quando ele diz “Vamos atentar para a sintaxe dos paulistas” ele se refere a como os paulistas formam as frases.
    Ele também faz referência ao jeito de cantar da Carmem Miranda.
    Quando ele diz “Sejamos o lobo do lobo do homem”, ele faz referência a Thomas Hobbes que diz que “O homem é lobo do homem”.
    Ele diz que adora nomes que sejam misturas de outras línguas como Scarlet Moon de Chevalier, Glauco Mattoso, Arrigo Barnabé e Maria da Fé, para mostrar como usamos nomes de outras línguas.
    Ele começa a dizer palavras em outras línguas muito utilizadas na Língua Portuguesa para mostrar como importamos palavras de outros idiomas como blitz, centelha, ou Hollywood, que virou sinônimo de luxo ou glamour, que é uma palavra importada do Francês.
    Ele diz que “A língua é minha pátria”, pois para qualquer lugar que nós formos nós continuaremos a pensar e falar em nossa Língua Mãe, e nossa pátria não é nada sem nossa língua.
    Quando ele diz que não tem pátria, pois a Língua Portuguesa é uma língua muito difundida, e sim mátria, pois ele tem a Língua Portuguesa como Língua Mãe, e queremos frátria ele quer dizer que nós temos que ser tolerantes as variações da Língua Portuguesa nos outros países que falam a Língua Portuguesa, como irmãos.
    Ele cita a poesia concreta, estilo que surgiu na década de 30 em oposição a ideia de abstrato, e a prosa caótica, para mostrar as variações da poesia e da prosa.
    Ele utiliza várias variações regionais da Língua Portuguesa, para mostrar as grandes diferenças entre elas.
    Ele no verso final diz que nossa Língua Portuguesa se espalhou por livros, discos e vídeos, logo se espalhou por pessoas de classes e origens diferentes.
    Ele diz que nossa Língua Portuguesa é popular e culta, moderna e antiga e miscigenada.

  18. Arthur, por tópicos:

    O texto poderia estar mais fluente (a coesão truncada faz com que o som advindo dele não seja dos mais agradáveis);
    Você poderia ter observado melhor as rimas da canção. Note que não se trata de um poema, mas de uma canção. Ao analisar o texto, é preciso compreender o gênero ao qual ele pertence. Há rimas, ainda que elas não estejam sempre no final do “verso”;
    No que diz respeito à métrica, você poderia escandir o texto em busca das sílabas tônicas. Talvez haja regularidade em alguns trechos;
    Por que ele cita Camões? O que significa “minha língua roçar a língua de Luís de Camões”? Note que se trata de um trecho ambíguo;
    Qual a[s] figura[s] de linguagem presente[s] no trecho “E quero me dedicar a criar confusões de prosódia / E uma profusão de paródias”?
    Explique o sentido de “o Pessoa na pessoa” e de “a rosa no Rosa”, tanto pelo ponto de vista semântico quanto gramatical.
    […]

    De modo geral, sua análise deve ser mais ambiciosa. Ela deve ter como meta explicar os efeitos sugeridos pela canção. Vamos lá, refaça com carinho e depois volte a falar comigo.

    Abraços,

    • Professor, você poderia me explicar os versos “e – xeque-mate – explique-nos Luanda”, “Está provado que só é possível filosofar em alemão” e “Nós canto-falamos como quem inveja negros
      Que sofrem horrores no Gueto do Harlem”

  19. Professor, o verso “E deixe os Portugais morrerem à míngua” possui 10 sílabas poéticas posso dizer que faz referência a Camões, e possso dizer que é um decassílabo heroico?

    • E /dei / xe os / Por / tu / gais6 / mo / rre / rem à / mín 10/ gua

      Ótima sacada. Não é fácil perceber a elisão em “rem + à” 🙂

  20. Professor o que você acha?
    A música possui algumas rimas internas e outras externas não seguem um padrão, e quanto à métrica da música os versos são versos livres, utilizados pelos modernistas.
    Quanto a fonética a música apresenta casos de aliterações e de assonâncias.
    No verso “Gosto de sentir a minha língua roçar a língua de Luís de Camões”, percebe-se que há uma metonímia na parte “a língua de Luís de Camões”, refere-se ao fato da Língua Portuguesa ser mundialmente conhecida como a Língua de Camões, na parte “gosto de sentir a minha língua roçar“, há uma sinestesia, ele se refere a Língua Portuguesa ser conhecida como uma língua “doce e agradável”, de acordo com Miguel de Cervantes.
    Ele faz referência às inúmeras confusões de prosódia, parte da gramática que se ocupa da pronúncia das palavras, na Língua Portuguesa, o que ocorre muito no Brasil de acordo com a região de onde o falante veio.
    No verso “o Pessoa na pessoa”, ele se refere aos pseudônimos de Fernando pessoa, que retratava pessoas com realidades diferentes, de origens e classes diferentes.
    No verso “a rosa no Rosa”, se refere a rosa de Guimarães Rosa são seus romances que se passam no sertão e o seu uso de dizeres regionais, por exemplo, em Sagarana.
    Nos versos “a poesia está para a prosa assim como o amor está para a amizade” ele se refere à semelhança dos dois estilos, na Língua Grega filo pode significar ou amor ou amizade, e depois ele acrescenta “E quem há de negar que esta lhe é superior?” dizendo que a amizade é melhor que o amor, pois o amigo você escolhe, o amado não.
    No verso “e deixem os Portugais morrerem a míngua” ele se refere a Língua Portuguesa de Portugal que não aceita tão mudanças linguísticas como a Língua Portuguesa do Brasil, o verso é um decassílabo heroico, utilizados por Luís de Camões em Os Lusíadas, fazendo referência a ele.
    No verso “Minha pátria é minha língua”, ele se refere à importância da nossa língua a nossa pátria, pois para qualquer lugar que nós formos, nós continuaremos a pensar e falar em nossa Língua Mãe, nossa pátria não é nada sem nossa língua.
    No verso “Flor do Lácio Sambódromo…”, ele faz referência à frase de Olavo Bilac que a Língua Portuguesa é a “última flor do Lácio”, região central da Itália onde se originou o Império Romano, logo ele diz que o Português é a última língua que nasceu do Latim.
    No verso “Lusamérica latim em pó” ele se refere ao Brasil que a Língua Portuguesa falada no Brasil variou muito do Latim, adotando expressões e vocábulos de línguas não latinas, é o Latim em pó.
    No verso “Vamos atentar para a sintaxe dos paulistas” ele se refere a como os paulistas formam as frases, que consideram como o modo “correto” de falar a Língua Portuguesa.
    No verso “Sejamos o lobo do lobo do homem”, ele faz referência a Thomas Hobbes, que diz que “O homem é lobo do homem”, e depois ele acrescenta “lobo do lobo do lobo do homem”.
    Ele diz que adora nomes que sejam misturas de outras línguas como Scarlet Moon de Chevalier, Glauco Mattoso, Arrigo Barnabé e Maria da Fé, para mostrar como usamos vocábulos e termos de outras línguas.
    Ele cita palavras em outras línguas muito utilizadas na Língua Portuguesa para mostrar como importamos palavras de outros idiomas como blitz, centelha, ou Hollywood, que virou sinônimo de luxo ou glamour, que é uma palavra importada do Francês.
    Quando ele diz “não tenho pátria”, pois a Língua Portuguesa foi muito difundida, “tenho mátria”, pois ele tem a Língua Portuguesa como Língua Mãe, “e quero frátria”, ele quer dizer que nós temos que ser tolerantes as variações da Língua Portuguesa nos outros países que falam a Língua Portuguesa, como irmãos.
    Para mostrar as variações da poesia e da prosa, ele cita a poesia concreta, estilo que surgiu na década de 30 em oposição a ideia de abstrato, e a prosa caótica, que eram muito usados pelos modernistas.
    Ele cita várias variações regionais, e seus vocábulos, da Língua Portuguesa, para mostrar as grandes diferenças entre a Língua Portuguesa falada no Sul, no Nordeste, em São Paulo, etc..
    No verso “livros, discos, vídeos à mancheia”, ele se refere ao fato que nossa Língua Portuguesa se espalhou por livros, discos e vídeos, pelo português errado das pessoas, pelo português que segue a norma culta, pelo português com suas mais diversas variações regionais e temporais.
    Ele diz que nossa Língua Portuguesa é popular, culta, moderna, antiga e cheia de mestiçagens, assim como o Brasil.

  21. Vi outro curta, mas este eu não entendi, o nome é “Vinil Verde”.
    Você poderia assisti-lo e explica-lo para mim, professor?

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