Madrugada errante

O filme começa com o protagonista, quieto e solitário, caminhando pela mata. É madrugada, que simbolicamente sugere a expectativa de um novo dia, a alvorada – luzes iluminando a penumbra. Então ouvimos sua voz: ele começa a rezar. Monólogo individualista ou sagrado diálogo interior, a distinção pouco a pouco se reduz; a antítese esvai-se conforme crescem os questionamentos – alguém me escuta? Estou falando sozinho? Se Deus existe e se de fato ele nos deu livre-arbítrio, é sensato que ele se cale, que ele nos permita sofrer e enfrentar nossos próprios problemas mundanos. Mas por que nos colocar em situações em que a força do indivíduo pode tão pouco? Por que conceder uma liberdade de que quase não podemos usufruir?

 Só agora percebo: Jean Gentil ecoa os mesmos conflitos desenvolvidos por Dostoievski em “O Grande Inquisidor”. Em ambos os casos, mais do que aqui, a angústia soube se expressar.

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