Segredos da Paixão

 Por indicação de uma amiga, acabei de assistir a  O segredo dos seus olhos (Juan José Campanella / 2009 / Argentina). Eis a sinopse:

Benjamin Esposito (Ricardo Darín) se aposentou recentemente do cargo de oficial de justiça de um tribunal penal. Com bastante tempo livre, ele agora se dedica a escrever um livro. Benjamin usa sua experiência para contar uma história trágica, a qual foi testemunha em 1974. Na época o Departamento de Justiça onde trabalhava foi designado para investigar o estupro e consequente assassinato de uma bela jovem. É desta forma que Benjamin conhece Ricardo Morales (Pablo Rago), marido da falecida, a quem promete ajudar a encontrar o culpado. Para tanto ele conta com a ajuda de Pablo Sandoval (Guillermo Francella), seu grande amigo, e com Irene Menéndez Hastings (Soledad Villamil), sua chefe imediata, por quem nutre uma paixão secreta.
(http://www.adorocinema.com/filmes/o-segredo-dos-seus-olhos/)

Trata-se de um filme de paixões. Benjamín Espósito é apaixonado por Irene Menéndez Hastings; Pablo Sandoval é apaixonado pelos bares (bebidas, polêmicas, brigas e o que mais estiver incluso); Ricardo Morales é continua apaixonado por sua falecida esposa. Por outro lado, Isidoro Gómez, o assassino, não possui paixão, possui tara, e o filme soube muito bem retratar a diferença.

Gómez, ao contrário dos demais personagens citados, conjuga um verbo intransitivo: Ele deseja. Sim, isso mesmo: “Ele deseja” ponto-final. Não há um objeto específico, um ser especial que seja o alvo de sua tara. O desejo, por si só, é o que importa, é o que basta. Ele é quase um discípulo de Onam. Todos os demais, porém, conjugam verbos transitivos (ou substantivos transitivos, se me permite a flexibilidade gramatical): Morales ama a esposa; Sandoval ama a esbórnia; Espósito tem verdadeira paixão por Irene. E todos estes, submetidos, submissos à paixão, se equivocam, erram cálculos, mas ao mesmo tempo possuem uma gana ímpar que só os apaixonados possuem. Impossível não nos identificarmos com eles.

Curiosamente, no post anterior, eu reclamo de alguns personagens de Jostei Gaarder que, por serem excessivamente idealizados, quase infalíveis, perdem verossimilhança e, desse modo, capacidade de empatia, de identificação. Aqui, neste belo filme, acontece justamente o contrário. Os personagens são apresentados com suas forças, de modo a admirá-los, mas também com suas fraquezas, de modo a acreditarmos neles.

Etimologicamente comovente, etimologicamente intrigante, em muitos sentidos humano e, por isso mesmo, [etimologicamente] necessário.

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