de retalhos

O que sobra da vida se lhe tirarmos os instantes, não aqueles forjados por fotografias enganadoras, mas aqueles que acontecem sem que percebamos, aqueles de que iremos nos lembrar quando desejosos de alegrias e felicidades olharmos para trás?

Aos instantes cujo sabor se destaca na amargura ou pela amargura, um toque de permanência lhes convém. Preciosidades hipotéticas, sublimações ilusórias? Que seja. Ao cofre em papel e grafite, ou em guardanapos, lenços sujos por um ou outro lamento, uma alegria esganiçada, ao cofre, por que não? Às vezes as impressões surgem antes dos pensamentos, às vezes os pensamentos se disfarçam de impressões. Abriguemo-los, cativemo-los, quem sabe o que eles serão? Se forem um agudo sentimento que se revelarão ao lhes revisitarmos, se forem apenas um arremedo, uma caricatura, um clichê do qual nos envergonharemos, já serão alguma coisa nossa, para nossa glória ou nossa vergonha, mas uma coisa nossa.

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3 pensamentos sobre “de retalhos

  1. Gostei da reflexão sugerida.
    Aprecio muito essa ideia de aproveitarmos os instantes, de vivermos os instantes, por serem nossos, por serem verdadeiros, por serem o que são.
    Quanto ao texto em si, confesso que as inversões e as colocações pronominais enclíticas ofereceram-me certa resistência.
    Contudo, talvez essas barreiras, sutilmente impostas, sirvam-nos para que possamos nos deter mais cuidadosamente, de modo a apreciar o que foi dito.
    🙂

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