Metonímicas: A moral de Clara

          Clara sempre se considerou uma pessoa cética, lúcida e sensata. Gostava de considerar, medir e refletir sobre cada questão antes de chegar a um julgamento. Por isso era tão admirável vê-la num debate. Não que ela vencesse todas as discussões. Sua grande virtude era que ela sabia exatamente quando deveria insistir nos seus ideais, procurando argumentos inovadores para defender seu ponto de vista, como também sabia reconhecer os momentos em que os argumentos contrários se mostravam mais consistentes. Para ela, a função de um debate não era vencer o oponente, mas fazer com que todo mundo (debatedores e plateia) pudesse alcançar maior esclarecimento.

         Certa vez, no entanto, Clara foi surpreendida, justamente no único assunto em que ela não gostaria de ser. “A escravidão é um erro”, ela dizia para si mesma desde que era criança. E a justificativa (“A escravidão é um erro”, pois o preconceito é um erro) lhe era mais que um aforismo, quase um mantra. No fundo Clara sentia que todo seu ser estava fundamentado nessa ideia, nessa premissa. Por isso ela precisa tanto encontrar um modo de virar o jogo.

        Texto completo aqui.

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