Metonímicas: os dois cérebros de Anita

          Anita sempre teve medo de se tornar acomodada. “Quando deixamos de desconfiar” – uma professora lhe havia dito – “o senso comum se apodera de nós”. E se tinha uma pessoa em quem Anita confiava, era nessa professora. Foi seguindo seu conselho que ela começou a modelar sua forma de pensar.

         Era como se Anita tivesse dois cérebros: além do primeiro, igual a todo e qualquer cérebro, satisfatoriamente hábil para analisar e julgar o que quer que fosse, havia um outro, dos mais rigorosos, sempre revisando e questionando as decisões do primeiro. Se um gostava de determinado  doce, o segundo tentava captar o que havia de banal em seu sabor, aroma, textura. Se um se incomodava com determinado filme ou peça de teatro, o outro tentava ver que ideias ou linguagens inovadoras estava deixando passar desapercebidas. Demorava até eles entrarem em acordo, era extenuante, mas Anita se sentia feliz por ter considerado cada minúcia antes de chegar a um veredito.

Texto completo aqui.

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