Metonímicas: a experiência de Júlia

          É óbvio que se trata de uma mentira, um exagero. Uma música, principalmente música popular, não é capaz de fazer “o espírito querer escapar do nosso corpo”. Mas, mesmo assim, Júlia decidiu acompanhar seu amigo e ambos foram à acanhada casa noturna que mais parecia um sobrado sem paredes internas. Chegando lá, aceitou, desconfiada, um coquetel de “la fruit de la passion“, acomodou-se numa poltrona de três lugares enquanto uma banda ensaiava uma música agradável, mas nada além disso. Fingiu prestar atenção na música, enquanto matutava o porquê de Flávio tê-la levado àquele lugar. Foi quando o rapaz lhe deu um leve cutucão: entrava em cena um senhor negro, alto e esguio, segurando algum instrumento de sopro. Algo que Júlia não conseguia compreender fez com que o silêncio também se adentrasse no local. As primeiras notas, aguardadas com entusiasmo, pareciam desafinadas, fora de tom, sem harmonia. Mas o curioso é que mesmo assim elas não soavam mal; geravam sim certo incômodo, mas – como dizer? – um incômodo bem-vindo, convidativo, quase sedutor.

Texto completo aqui.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s