O camelô e a cidadania

         Semana passada, pedi a meus alunos que fizessem dois textos: uma carta de reclamação, cujo alvo seriam os camelôs; e uma carta-resposta, apresentando o ponto de vista daquele que é acusado. Em ambos os textos, o aluno deveria usar noções de cidadania. A ideia do exercício era trabalhar não só a capacidade imaginativa, mas principalmente fazer com que eles se dessem conta de que certas ideias não devem ser compreendidas como formas estanques, mas sim problematizadas.

         É com alegria que compartilho com vocês estes dois textos da Carolina M. S. A.:

 *          *          *

         São Paulo, 15 de Março de 2013.

          Prezado responsável pelo setor de cartas do jornal O Estado de São Paulo,

          Sou uma estudante de Direito, e gostaria de falar sobre os camelôs que tomam as calçadas da nossa cidade.

        Na frente da minha faculdade, suas barracas tomam a calçada, fazendo com que alguns estudantes andem pela rua, devido ao grande número de pessoas. Os estudantes que andam pela rua se expõem a um risco enorme, maior do que o normal, de serem atropelados.

          Os camelôs podem estar vendendo produtos piratas e as autoridades não fazem nada a respeito.

          Eu gostaria de uma atitude já. Isso não pode continuar.

          Grata pela atenção,

          Maria Clara Alves

 *          *          *

          São Paulo, 18 de Março de 2013.

          Prezado responsável pelo setor de cartas do jornal O Estado de São Paulo,

          Sou um dos camelôs que ficam na frente da escola da senhora Maria Clara, que escreveu uma carta no dia 15 de março, e estou aqui para me defender e também para defender meus colegas.

          Ela disse sobre os riscos de vida que os estudantes correm ao sair na rua, mas não pensou que estou ali para sustentar minha mulher e meu filho. E ela também disse que nós tomamos toda a calçada, o que não é verdade.

          Nossas barracas ocupam um pequeno espaço. O volume de pessoas que é muito grande. Será um crime fazer um bom trabalho e conseguir, dia após dia, uma clientela fiel e satisfeita? Se não me engano, meus clientes também têm o direito de ocupar a rua.

          E por último ela disse que nossos produtos são piratas e as autoridades não fazem nada sobre isso. Então tenho duas perguntas: a senhora já reparou no que nós vendemos? Não são produtos piratas, são pulseiras, colares, anéis, brincos que nós mesmos fazemos. E o que as autoridades poderiam fazer sobre isso? Nada. Não vendemos nada falsificado.

          Ao jornal, obrigado pela atenção.

          João da Silva.

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