Memórias nunca morrem

Alice G.

      Júlio e Paula eram um casal como esses que a gente vê nas ruas todos os dias; sempre de mãos dadas, passos sincronizados: pé esquerdo, pé direito, esquerdo, direito… Mas Júlio sempre evitava ir a lugares de que Paula gostasse muito.

     Por exemplo, ela adorava uma lanchonete no centro da cidade, e por mais que passar perto dessa lanchonete fosse o caminho mais fácil para sua casa, Júlio contornava o quarteirão e nunca passava por ali. Paula adorava um escritor brasileiro, e Júlio se recusava a ler qualquer texto desse escritor. Ela adorava brigadeiros, Júlio os evitava a todo custo. Sim, eles estavam juntos, mas Júlio não queria fazer nada que pudesse deixar marcas profundas em seu coração. Quanto mais a amasse, mais iria sofrer no futuro – pensava.

     Um dia, como era de se esperar, eles terminaram. Júlio pensava que esquecer Paula seria fácil e que logo nem se lembraria de que ela fez parte de lembranças incríveis. Passando-se algumas semanas, o plano dele não tinha funcionado. Ele então percebeu: por mais que tentemos apagar nossas memórias, recordações não são deletadas. Elas estão sempre por aí, mesmo que às escondidas.

     Paula não se resumia a uma determinada lanchonete, a um escritor em específico ou a um doce apetitoso.

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