Cultura Pop

Exemplo de texto dissertativo

O texto a seguir foi feito pelo Eduardo Girão, aluno do oitavo ano. A proposta era: faça um breve texto dissertativo a respeito da cultura pop.

Sugeri que os alunos trabalhassem com a seguinte estrutura:

Tópico Frasal

 

Desenvolvimento

 

Gancho

 

Tópico Frasal

 

Desenvolvimento

 

Síntese

 

Na verdade, trata-se de uma dissertação reduzida, sem a introdução típica com que gostamos de trabalhar (periférico / tema / tese).

Vou apresentar o texto dele em duas formas. A primeira nua, despida de qualquer interferência minha. A segunda vestida com as cores que eu usei para identificar as partes lógicas do texto e adornada com notas de rodapé.

Vamos ao que interessa:

Exercício redacional (Eduardo Girão, também conhecido como o Príncipe da 74) – 1ª versão:

Muitos têm uma noção preconceituosa em relação à cultura pop. Essas pessoas acreditam que a cultura pop não serve para nada. Falam que, por não ser consistente com um estilo definido, nem merece a nossa atenção, servindo apenas para alienar jovens e criar uma falsa sensação de felicidade, iludindo todos que a apreciam. Mas isso nem sempre é verdade.

A cultura pop foi muito criticada ao longo do último século. A dificuldade de sua compreensão estimula o preconceito contra ela. Quantos ao longo de suas vidas já não julgaram um estilo ou cultura sem realmente os compreender? O jazz, quando começou a ganhar popularidade, foi injustamente criticado por seus constantes improvisos e, hoje, se tornou um estilo muito apreciado por aqueles que realmente o compreendem. Antes de um determinado estilo ser julgado, ele deve ser devidamente compreendido.

Exercício redacional (Eduardo Girão, também conhecido como o Príncipe da 74) – 2ª versão:

Muitos têm uma noção preconceituosa em relação à cultura pop.[1] Essas pessoas acreditam que a cultura pop não serve para nada.[2] Falam que, por não ser consistente com um estilo definido, nem merece a nossa atenção, servindo apenas para alienar jovens e criar uma falsa sensação de felicidade, iludindo todos que a apreciam.[3] Mas isso nem sempre é verdade. [4]

A cultura pop foi muito criticada ao longo do último século. [5] A dificuldade de sua compreensão estimula o preconceito contra ela. [6] Quantos ao longo de suas vidas já não julgaram um estilo ou cultura sem realmente os compreender? [7] O jazz, quando começou a ganhar popularidade, foi injustamente criticado por seus constantes improvisos e, hoje, se tornou um estilo muito apreciado por aqueles que realmente o compreendem. [8] Antes de um determinado estilo ser julgado, ele deve ser devidamente compreendido.[9]

 


[1] Para que esse suposto tópico frasal seja validado, é preciso que os períodos seguintes de fato desenvolvam a ideia contida aqui. Por exemplo: quem são esses “muitos”?, que “noção preconceituosa” é essa?, Por que existe esse preconceito? Qualquer que seja a opção do autor, ele precisa estar ciente de que o tópico frasal nunca é avaliado sozinho. Um bom tópico frasal não só atrai o olhar do leitor, como também o guia, sem tropeços, para o desenvolvimento do parágrafo.

[2]
O segundo período traz um pequeno acréscimo ao TF, mas não é claro o suficiente. Ele, por si só, não será considerado como um “desenvolvimento do TF”, mas nem precisa ser. Aqui é importante considerá-lo como ponto de partida para o desenvolvimento. Na sequência do texto seria conveniente que o autor explicasse essa postura: Como assim eles dizem que a cultura pop não serve para nada?

[3]
Agora sim o texto nos traz uma informação mais clara. A mente conservadora não vê na cultura pop um estilo definido, acreditando se tratar de uma forma barata de divertimento e alienação.

[4]
Gancho simples, mas eficiente. Apresentada e explicada a ideia contrária, está chegando a hora de o autor apresentar seu ponto de vista.

[5]
Aqui surge um grande perigo. Peraí! O tópico frasal parece adequado, bem feito, então qual é o perigo? De fato, o TF parece adequado e bem feito, no entanto precisamos ver o que o autor fará com ele. Sabemos que a sequência do texto deve ser coerente com o TF, mas, além disso, não podemos nos esquecer de que ela deve ser coerente com o gancho apresentado no parágrafo anterior. Veja bem, se o Dudu desenvolver um paralelo histórico das críticas feitas à cultura pop ao longo do século XX, talvez ele termine seu texto sem defender sua ideia. É importante, diria imprescindível, que ele harmonize gancho e tópico frasal, defendendo sua ideia e usando de alguma forma o referencial apresentado no TF. Vamos ver se ele dá conta do recado.

[6]
Por enquanto, o texto apresenta uma possível causa do preconceito (harmonizando-se mais com o gancho do parágrafo anterior do que com o TF).

[7]
Esta pergunta retórica é sensacional. Afinal, num determinado sentido, todos nós julgamos algo sem compreendê-la totalmente. Até porque talvez seja impossível compreender totalmente alguma coisa. Por exemplo, eu posso ver uma peça de teatro e odiá-la (ou amá-la, tanto faz) sem perceber determinadas – e, às vezes, importantes – questões estéticas, éticas, filosóficas etc. A pergunta retórica do Dudu faz referência direta ao nosso desenvolvimento intelectual e, de certa forma, já antecipa a conclusão do seu texto: antes de julgarmos, convém conhecermos adequadamente aquilo que estamos analisando.

[8]
E aqui, neste período, vemos a tão esperada referência ao TF, completamente articulada ao texto como um todo, indicando uma boa coesão entre partes diversas do texto, garantindo a coerência de ideias ao longo do texto.

[9]
Síntese perfeitamente alinhada à discussão proposta. Um texto simples (fácil de compreender) e complexo (pois bem costurado). Como diria o Daniel: Que homem, esse Dudu! J

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