a leve garota do salão

Carolina A.

 Adentrei àquele enorme salão observando a tudo e a todos ao meu redor. De longe avistei a garota mais graciosa que já havia visto em toda minha curta vida. Ela não aparentava ter mais de 18 anos. Era leve. De olhos fechados, parecia sentir a música jogando os braços para cima e balançando os quadris em seu ritmo. Estava tão tranquila que não sentia os olhares que atraía; muitos outros garotos também estavam ali. Famintos. Foi a única palavra que encontrei para descrever os olhares que recaiam sobre ela. Suas amigas se divertiam ao seu lado, me fazendo perceber que ela estava totalmente desligada do mundo. Muitas meninas tentavam copiar o que ela fazia, mas nenhuma conseguia. A graciosidade com que ela se movia era única. A roupa que trajava, uma discreta saia preta até um pouco acima dos joelhos, a blusa rosa larga que ultrapassava por pouco a altura dos quadris e o sapato baixo prateado a deixavam não vulgar, como as outras, mas elegante. Os longos cabelos loiros balançavam em suas costas deixando-a ainda mais singular. Eu me escondi na penumbra, observando-a de longe. Meus amigos sumiram. Todos sumiram. Eu estava só.

Um cara visivelmente bêbado se aproximou dela. Ela tentou se esquivar uma, duas, três, quatro vezes, mas ele não se deu por vencido. Eu saí de meu esconderijo, aproximando-me deles. Fiquei feliz em perceber que o malandro era quase metade do meu tamanho. “Vá” disse ela firmemente para ele. Eu cheguei mais perto e me coloquei entre os dois. Olhando para cima, ele se assustou e foi embora tropeçado em seus próprios pés.

“Obrigada”, ela sussurrou para mim. A garota começou a se afastar, mas algo em seus olhos sugeriam outras vontades. Toquei seu braço de leve e perguntei se ela não gostaria de tomar algo. Obtive um grande sorriso em resposta. Nós caminhamos até o bar e lá ficamos por algum tempo até resolvermos voltar para a pista. Pude conhecê-la um pouco melhor. Luisa era seu nome. Tinha, como pensei, 18 anos. Desta vez não só a observei como também fiz parte da graciosidade com que ela se movia. Muito tempo passamos ali até que meus amigos reapareceram, dizendo que estavam indo embora. As amigas dela chegaram, segundos depois, dizendo a mesma coisa. Fui me despedir dela com um abraço, mas acabei roçando meus lábios no seu rosto. Quase trocamos um selinho. Foi instintivo. Eu estava pronto para me afastar e pedir desculpas quando ela levou as duas mãos para o meu rosto dando continuidade aquele beijo. O primeiro de muitos. Pois eram aqueles lábios os quais eu iria beijar por toda a minha vida, e nunca iria me cansar.

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