Exposição cultural 2011

Caro aluno ou Cara aluna,

Você está aqui para conhecer minha proposta de trabalho em relação à Exposição Cultural de 2011. De fato, é importante que você compreenda qual é o meu método de trabalho antes de decidir se você realmente quer participar desse projeto.

Vejo a exposição cultural como uma boa “desculpa” para que possamos nos reunir (às vezes virtualmente), discutir ideias e, principalmente, aprendermos muito. Sim, o que está por detrás do trabalho que pretendo realizar é o amadurecimento cultural dos meus alunos. Note que não tenho nenhuma preocupação com eventuais premiações. Parafraseando um aluno meu do ano passado: nosso prêmio é o trabalho que realizamos.

Isso é algo que tem de ficar muito claro. Não me importa fazer um trabalho melhor que os dos outros grupos, em momento algum torcerei para que os outros trabalhos fracassem, o que pretendo é que vocês se engajem de modo a realizar o melhor trabalho possível, enfrentando e – de preferência – superando os obstáculos que teremos de enfrentar.

Antes de tocar no próximo tópico, gostaria de indicar-lhes um filme: Doze homens e uma sentença, com Henry Fonda – uma adapação dessa história estava sendo encenada no Centro Cultural Banco do Brasil. É a história de um julgamento, em que os membros do júri precisam entrar em consenso para decidirem se um jovem deve ou não ser condenado. Na primeira votação, onze votam “culpado”; apenas um, por não ter certeza da culpa do garoto, vota “não culpado”. O que você acha que acontece? O jovem é condenado, afinal a maioria votou contra sua inocência? Não. Nada disso. Não importa o voto da maioria, é preciso que acha consenso, é preciso que todos tenham a mesma opinião. O que eles fazem, então? Começam a argumentar, a discutir – racionalmente – para, só então, decidirem se o garoto é culpado ou não. Ora, você me pergunta, por que eu fiz um parágrafo resumindo o filme? Você vai entender.

Na sua opinião, qual é o maior dos princípios democráticos? O que, mais do que tudo, caracteriza uma democracia? Há quem diga: o desejo da maioria. No entanto, a minha resposta é diferente: a maior das virtudes da democracia é o direito à opinião contrária. Mesmo que você seja minoria, você tem o direito de expor seus argumentos contra a opinião dominante. Entende o que eu quero dizer? Releia o trecho destacado, veja que eu não escrevi “direito ao palpite contrário”, eu escrevi “direito à opinião contrária”. Essa diferença é capital.

A opinião, ao contrário do palpite, é uma ideia baseada em parâmetros lógicos, que respeitem um mínimo de racionalidade.

Se você entendeu tudo isso, acho que agora eu posso continuar o texto.

Nunca permiti que os projetos por mim conduzidos fossem atrapalhados por “panelinhas” disfarçadas de democracia. Se o aluno tem uma ideia valiosa, ele precisa apenas de bons argumentos. Isso sempre será mais importante do que uma proposta sem pé nem cabeça, ainda que esta seja defendida por uma pretensa coletividade. Talvez isso lhe pareça opressivo, ditatorial. Não concordo. Gostaria que você compreendesse que, na verdade, eu estou protegendo o projeto de uma “ditadura da coletividade”. Repito: aqui panelinha não tem vez. Por outro lado, todo aluno que tiver uma boa ideia, que consiga defendê-la com bons argumentos, certamente conseguirá legitimar um maior número de propostas.

Não posso garantir que ganharemos alguma premiação. Não posso garantir que nosso projeto dê certo. A única coisa que eu posso garantir é que, de modo algum, serei complacente com escolhas equivocadas. Talvez alguns pensem que desse modo o papel do aluno será reduzido. Novamente, não concordo. Como já disse, o que mais me importa é o tanto que você aluno ou aluna irá se desenvolver culturalmente ao longo do projeto. Não sei se você ficou sabendo, mas ano passado um aluno meu conseguiu “discutir” de igual para igual com um adulto que foi prestigiar nosso trabalho. Se você presenciou isso, compreende melhor o que eu estou querendo dizer. Se esse aluno não tivesse de fato aprendido coisas importantes ao longo do projeto, se o projeto tivesse sido feito pelo professor, ele teria ficado com cara de bobo nessa situação. Mas, felizmente, não foi isso que aconteceu.

Futuramente, se você quiser, posso detalhar que tipo de conteúdo meus alunos discutiram nos dois anos anteriores, e de que modo isso fez com que eles tivessem contato com elementos culturais que eles só iriam conhecer um ou dois anos depois.

Se você acredita no projeto, se você está disposto[a] a aprender muita coisa importante, seja bem-vindo[a].

R. L. (15/02/2011)

 ***

Links úteis:

1 – O poder do mito

2 – Quem está no grupo?

3 – Tarefa 1

4 – Tarefa 1: comentários

5 – Tarefa 2

6 – Tarefa 2: comentários

7 – Tarefa 3

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32 Comentários

32 pensamentos sobre “Exposição cultural 2011

  1. Eu sempre, em todas as decisões que tomei, sempre dei um certo direito à menoria e suas opiniões. Mas infelizmente, a maioria das pessoas que eu conheço não pensam assim. Eu acho que seria bom transmitir um pouco dessa cultura aos membros do grupo.

    Marcos

    • Pô, baby, eu falei que iria colocar à noite; cheguei agora há pouco da academia.

      Dê uma olhada ali nos links úteis, se você clicar ao lado do número 3, será direcionado para a página da tarefa.

      Espero que você continue animado até o fim. 🙂

  2. William, depois eu vou mandar a lista para todos vocês.

    Na verdade, por ora eu tenho o contato de uns sete ou oito integrantes, que me mandaram a tarefa até agora.

    Falta o do Francisco, o do Navarro, o do Cardeal. Não sei ainda se a Vitória vai querer participar ou não.

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