T3 – 08

Aluno responsável pela tarefa: NAZIVON.

Faça uma descrição analítica e interpretativa do desenho Reptiles, de Escher:

RESPOSTA DO ALUNO:

O quadro mostra pequenos reptéis que saem de um desenho, ganham vida, mas voltam para o desenho. O desenho está sobre uma mesa que está repleta de objetos curiosos (uma garrafa, um copo, três livros, um vaso com cactos, um triângulo, uma taça com objetos dentro e uma figura geométrica). Mas há uma coisa curiosa com um desses répteis. O que está em cima da figura geométrica está soltando fumaça pelo nariz. Mas isso não me parece algo demasiado importante.

Quando o réptil sai da folha,ele deixa de ser algo paralisado, que pode ser desmanchado com uma simples borracha, e se tornar algo material, vivo, ATIVO. Mas, quando ele chega ao auge, ele dá um “suspiro” como se estivesse dizendo “vou ter que voltar para lá de novo”, e começa seu declínio, voltando novamente a ficar parado e assim continuamente. Esse quadro não é nada mais que um ciclo quase vital, pois tem nascimento, vida e morte. Os répteis, na minha visão, representam os seres humanos, pequenos e frágeis em comparação com a Terra, com a Vida. O quadro representa a vida humana, uma vida que sobe e desce sem regularidade, uma vida inconstante.

COMENTÁRIO DO PROFESSOR:

Nazivon, novamente você nos honra com uma análise cuidadosa e original. Cuidadosa porque você se ateve a diversos detalhes do desenho, procurando identificar e, às vezes, interpretar cada pedaço do desenho. Quando peço uma tarefa, minha expectativa é que o aluno a elabore com carinho e atenção, quando encaramos a tarefa apenas como uma obrigação da qual queremos nos desfazer, a tendência é chegarmos longe de onde você e outros colegas estão chegando. Que esse comportamento sirva de modelo, em diversos níveis.

Sua análise tabém é original, pois num certo momento você analisa os répteis como diversos indivíduos cada qual num determinado momento da vida, abstraindo daí uma alegoria do ciclo vital, do qual ninguém pode escapar. Melhor do que isso, você conseguiu ver no desenho uma espécie de alegoria da fragilidade do indivíduo, visto que sua – aparente – libertação é momentânea, insatisfatória.

Agora, a meu ver, seu único equívoco se deve ao considerar pouco importante o réptil que solta fumaça pelas narinas. O jacarezinho bufante parece-me ter papel central neste desenho. Tentarei justificar-me:

A análise tradicional do desenho (ser tradicional não implica necessariamente ser a melhor; note que em momento algum eu descarto sua – ótima – análise. A ideia é trazer um complemento a ela) vê o desenho como uma espécie de história em quadrinhos: era uma vez um réptil que habitava um desenho estático – como soem ser todos os desenhos não animados. Cansado dessa vida estagnada que sequer poderia ser chamada de vida, ele – sabe-se lá como – consegue escapar rumo à liberdade, rumo à vida. E assim vai, com um sorriso [?] no rosto, ele escapa do desenho, começa a viver, mas – sabe-se o porquê – ele se aborrece (o jacarinho bufando) e resolve voltar para o desenho, como se a liberdade / a vida não lhe tivesse sido tão atraente quanto parecia.

 Legal, né? O mais louco disso tudo, porém, é que, como o desenho não tem começo nem final – é circular -, temos a sensação de que após voltar para o desenho, o réptil volta a se angustiar, volta a sonhar com a liberdade / com a vida e, novamente, escapa rumo à liberdade, rumo à vida.  

Talvez esse desenho seja a alegoria da eterna insatisfação do indivíduo, que – para aliviá-la – alimenta-se de ilusões que – como todas as ilusões – não têm substância para saciar seu desejo.

Note (aliás, “notem”, pois, apesar do vocativo, esse comentário dirige-se a todos os alunos do grupo e não apenas ao nosso colega)… repetindo: Note que há uma intersecção entre sua análise e a tradicional: em ambas o indivíduo é retratado como algo pequeno e frágil perante uma força maior (de acordo com sua análise: a vida; de acordo com a análise tradicional: a aceitação da realidade).

Acho que essa tarefa trouxe muitas coisas bacanas para todos nós.

P.S.: por uma dessas coincidências inexplicáveis, na crônica que eu fiz durante a semana, cito de relance a alegoria da ilusão x insatisfação.

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