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Ilusórias Expectativas

de  Érica Y. de Oliveira.

   Maquiavel escreveu a famosa obra O Príncipe na tentativa de propor soluções aos problemas vigentes em sua nação, visando torná-la forte e grandiosa. Porém, suas expectativas não foram cumpridas, já que a Itália da época não possuía verdadeiramente todas as qualidades que lhe eram atribuídas. Esse tipo de acontecimento, no qual espera-se mais de uma pessoa ou nação, ocorreu inúmeras vezes ao longo da história, e possivelmente, dentro de alguns anos, poderá ser aplicado ao Brasil e seu suposto potencial de líder do desenvolvimento sustentável.

   A característica de país preocupado com o meio ambiente, imagem atual do Brasil, não deve ser encarada como qualidade plenamente verídica. Deve-se atentar ao fato de que o Brasil ainda na é um país completamente desenvolvido ou industrializado. Consequentemente ainda não explorou seus recursos naturais plenamente e é dessa forma que consegue manter baixos níveis de poluição e degradação ambiental perante o resto do mundo.

   Na escala global, também se pode notar que, devido à industrialização tardia, economia ainda em crescimento e pouca voz em órgãos internacionais, o Brasil não conseguiria impor suas vontades perante países do “1º Mundo”. Estados Unidos, Alemanha e Inglaterra ao alguns exemplos – países economicamente fortes, muito industrializados e que, ao longo de reuniões internacionais como a ECO-92, protelaram na tomada de medidas efetivas para preservar o meio ambiente.

   A preservação encontra inúmeras barreiras assim como o Brasil perante o globo. Porém, no âmbito nacional há algumas ainda mais complexas: o incentivo a produtos com selo sustentável é visto como necessário, apenas para melhorar as vendas ou promover alguma mercadoria. Remove-se o conteúdo altruísta da ação, que passa a ser mero negócio. A existência desse tipo de conduta mostra o quão despreparada está a mentalidade do brasileiro.

   O Brasil ainda não está pronto para sustentar um título como o de líder em sustentabilidade, suas bases ainda estão frágeis e o planejamento ainda não é levado a sério. Como resultado, aceitar tal título seria um desrespeito tanto para com o mundo, quanto para com a nação

Crescer dói

Fernando Sakamoto (fernandoysakamoto@gmail.com)

 

Na natureza, a chuva, em períodos adequados, possui um papel fundamental, auxiliando no crescimento de vegetais e na manutenção do ecossistema. Uma planta, porém, não depende apenas da água para conseguir crescer e amadurecer, necessita, também, de uma série de outros fatores, tais como a luz e a temperatura. O Brasil é como este vegetal, que encontrou um ambiente favorável para se desenvolver, mas, por algum motivo, cresce lentamente, o que o distancia de seu pretenso ápice.

 

O Brasil, desde a descoberta pelos portugueses, fora visto como um paraíso, onde os recursos abundavam e a terra era “de muito bons ares”. Talvez, por esse motivo já enraizado na mentalidade dos futuros descendentes e, provavelmente, na maioria daqueles que formarão a cultura brasileira, tenha-se criado uma situação de acomodamento. O país, como um todo, nunca precisou batalhar pela sua própria sobrevivência, já que os recursos necessários estiveram sempre à mão, não adquirindo uma experiência básica ao amadurecimento.

 

Ainda no retrospecto brasileiro, percebe-se que o país nunca foi totalmente independente, pois quando teve a oportunidade de adotar uma postura sensata, preferiu o epifitismo, sempre precisando de um apoio. Um símbolo capital desse distúrbio foi nossa independência ter sido declarada pelo imperador da própria metrópole. E, mesmo depois de desvencilharem-se os laços portugueses, vieram os ingleses e, posteriormente, os estadunidenses; “apoio” que perdura até hoje. Por não saber se conduzir por si só, o Brasil aceitou passivamente se submeter a desmandos alheios.

 

Através dos anos, é possível notar um traço no caráter do brasileiro, no qual há predomínio do emocional sobre o racional. Conseqüentemente, é perceptível o gosto por privilegiar os pequenos e aparentes benefícios de curto-prazo em vez de pensar sobre a raiz dos problemas, comumente levada ao descaso. Como diria Confúcio, “pensar dói” e dá trabalho, ainda mais quando se possui uma propensão à preguiça e ao comodismo barato. A dor que agora se ameniza, entretanto, pode ocasionar uma forte enxaqueca no futuro, assim que os ventos favoráveis ao Brasil cessarem.

 

Um exemplo daqueles para os quais nem sempre os Zéfiros sopraram favoravelmente é o Japão, um pais pouco privilegiado e quase sem recursos minerais, mas que nem por isso deixou se acomodar. Adotando uma postura mais racional, trabalhadora e com uma raiz independente, gerou seus próprios ventos e já atingiu seu amadurecimento. Tal processo, porém, não se deu de maneira imediata, tendo sido necessário um longo e árduo caminho.

 

A chuva há muito tempo já precipita sobre o Brasil, permitindo o seu crescimento mas, assim como na natureza, a água em excesso não é saudável ao desenvolvimento de um vegetal; não podemos depende exclusivamente de um fator. O problema é interno, devemos ter atitude e trabalhar, semeando de maneira mais racional, removendo as raízes calcadas em velhos preceitos e instalando-se o hormônio certo do crescimento. Só assim teremos a oportunidade de ver nossa flor desabrochar e gerar bons frutos.