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Imperdível!

Do blog do zagueiro corintiano Paulo André:

http://pauloandre-13.blogspot.com/

Verdadeiro amor

Antes de começar meu relato, quero deixar claro que entendo o que é ser corintiano e respeito o que isso proporciona aos nossos corações! Jogar no Corinthians é diferente de tudo. É respeitar uma cultura, é como ser chamado para a guerra para defender uma nação.
 
 
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Ontem, ficamos quase uma hora para sair do nosso local de trabalho, porque torcedores protestavam e ameaçavam qualquer um que esboçasse aparecer no estacionamento do clube. Hoje, saímos escoltados por uma barricada de policiais que tentavam impedir que os protestantes jogassem pedra no ônibus. Bombas de gás lacrimogêneo foram jogadas contra esses que tentam destruir o patrimônio do clube que dizem amar. É paradoxal! Não quero minimizar esse sentimento, mas essa demonstração de amor é que é difícil de entender.

Por outro lado, acho válido protestar, reivindicar mudanças e melhoras, exigir alternativas para o crescimento daquilo que amamos. Mas para isso, há a necessidade de saber pra que e por que se está protestando. Se for uma simples forma de descontentamento e oposição, não vejo resultados que ajudem o time a levantar nesse momento.

Contestar mudanças para o bem do clube, tirar esse ou aquele jogador, ou até mesmo trocar todos os jogadores se for necessário, é valido e essas questões devem ser discutidas. Mas passar do protesto para agressão física ou ameaça, não levará o time a lugar nenhum, ou no máximo, o levará ainda mais para baixo.

Gostaria que essas mesmas pessoas que fazem esses protestos se mobilizassem também em prol do Brasil, e tivessem um sentimento de lutar pelo desenvolvimento da nossa pátria. Talvez dessa forma, sairiam às ruas para protestar contra políticos, mensalões, Erenices, enchentes e salários de deputados e senadores.

Gostaria que eles não aceitassem as condições de vida a que somos expostos, a educação e o transporte público precários a que somos submetidos diariamente e consequentemente, que parassem de depositar toda a sua alegria e esperança nos seus times do coração. Quando eles perdem ou fracassam, toda sua expectativa de ser feliz se escoa pelo ralo, gerando raiva e insatisfação, como se toda sua miséria, dor e dificuldade fossem causadas por aquela derrota.

A política do pão e do circo continua dando frutos no nosso país. Os governantes ludibriam o povo, e os fazem acreditar que comida e diversão são suficientes para que as pessoas não se envolvam com questões de governo. Esses que estão sobre todos nós, extrapolam e apoiam os esportes e as conquistas para que esse efeito “tudo está bem se o futebol estiver bem” seja uma verdade absoluta, sem se importar com o crescimento do país e do povo pelo qual foram escolhidos a defender.

Se analisarmos os baderneiros freudianamente, creremos que eles não têm tanta culpa por suas atitudes, já que estão com vendas sobre os olhos, reagindo aos seus próprios costumes, como um efeito cultural. Analisando pela esfera de quem acredita no direito à opinião (e foi por isso que criei o blog) não consigo enxergar de outra maneira senão pensar que esses não são verdadeiros torcedores corintianos. Penso que os verdadeiros apaixonados amam o clube sem egoísmo, sem exigir nada em troca, como o sentimento de um pai por um filho ou de um homem por sua mulher. Os pais ficam tristes quando um filho repete de ano, mas nem por isso o agridem (apesar da tristeza). Pelo contrário, lhe dão forças e ferramentas para que ele possa superar aquela dificuldade.

 
Amar o Corinthians quando o Corinthians ganha, é gostoso. Amar o Corinthians quando tudo está bem, é fácil.
 
Mas nenhum clube de futebol vive só de títulos!
 
A derrota é amarga, não só para a torcida, mas para todos os envolvidos. Para o torcedor, seu time de coração perdeu e isso é revoltante, eu entendo. Mas para quem está lá dentro, é um fracasso pessoal e profissional.
A torcida entoa hinos de “maloqueiro e sofredor, graças a Deus” reconhecendo que muitas vezes ser torcedor não é uma tarefa fácil. Indubitavelmente, todos admitem que os 23 anos de fila, exterminados em 77 com o gol de Basílio, fizeram bem ao clube (apesar de todo o sofrimento), pois tornou apaixonada a sua torcida, diferente de qualquer outra já existente no planeta.

Lembremos da história, façamos dela um professor para o que está por vir. Utilizemos a derrota para fortalecer nosso clube e o amor que sentimos por ele. “Teu passado é uma bandeira, teu presente uma lição”. Não vamos parar de lutar. Aqui é Corinthians.

 

Postado por PAULO ANDRÉ ÀS 18:49

Ingmar Bergman x Corinthians

Serei breve, mais sintético do que fui da outra vez, quando comparei um jogo da Libertadores com filmes do John Ford.

Ingmar Bergman, o diretor sueco, é famoso por seus filmes densos em que a angústia e o silêncio argumentam fundo à nossa alma. Corinthians, o time paulista, é famoso por iludir e entristecer seus sofridos torcedores. Nas obras do sueco, a felicidade surge, nos acena e, por fim, ri da nossa cara de bobo. Nas campanhas do alvinegro, às vezes há superação, heroísmo e, como se tudo isso fosse um requinte da ironia, derrotas.

No primeiro, a certeza de uma angústia que eleva [?] o intelecto. No segundo, a esperança por uma alegria improvável. É como se fosse o mesmo filme, porém o público somente sabe [ou assume saber] o final do primeiro.

A qual assistir? Cada um escolha sua dor.

P.S.: Por um capricho de deuses que riem da nossa cara, perco o sinal da internet pouco antes de conseguir postar esse texto. Mal sinal.

 

Melhor que o mestre e o pupilo

 Comentário inteligente e ponderado. Para muitos, isso seria um paradoxo, mas discordo. Acho que a argumentação baseada em elementos racionais merece muito mais respeito do que os arroubos que visam chutar o balde e provocar escândalos.

 O ano do centenário poderia ter sido utilizado para (numa ampliação daquilo que a Nike vem fazendo com as camisas históricas – infelizmente caríssimas!) homenagear grandes corintianos. Camisas especiais, biografias, documentários; o centenário poderia ter sido a celebração de uma história de luta, marcada às vezes pela vitória, às vezes pela derrota (perder não é desonroso).

 Futebol é paixão, pena que às vezes esta seja confundida com a fúria.

John Ford X Corinthians

 Penso o que fazer nesta noite de quarta-feira. O salmão curte seus últimos instantes na grelha; o chadornnay está na temperatura ideal. De bucho abastecido, só me restará uma lacuna a preencher: o que ver na tv?

 O título da crônica já antecipa minha hesitação em como ocupar duas horas da noite de hoje. De um lado, John Ford é o diretor que eu mais venho apreciando em 2010; do outro, o Corinthians, no ano do centenário, ainda não deu motivos para tal.

 De um lado, a certeza de que verei um grande filme, talvez não tão poderoso e ossudo quanto Rastros de Ódio ou delicado e simpático quanto Como era verde o meu vale. Não importa. Em John Ford eu sei que posso confiar.

 Do outro lado, a forte desconfiança de que o time e a torcida vão se esforçar muito, mas cedo ou tarde um gol, um mísero gol da negra ave carnívora, fará a fúria abater o controle; o enlouquecido Dionísio mandará a pontapés Apolo para bem longe de si. Até mesmo o capitão William, que tão bem se portou na final da Copa do Brasil 2009, pode voltar a ser o possuído que mereceu a expulsão na final do mesmo torneio em 2008.

 Todo corintiano lúcido já deixou de confiar no alvinegro. Na contabilidade de cada torcedor consta um gol rubro-negro a ser anotado após os 40 do segundo tempo. Pode parecer excesso de pessimismo, mas creio que essa seja a melhor notícia para o descrente fiel.

 Ninguém, ninguém lúcido relembro, acredita que Ronaldo voltará a ser Ronaldo, que Dentinho jogará bem o jogo todo sem ser agraciado com o temível cartão vermelho, que a zaga alvinegra anulará o preguiçoso e perigoso atacante adversário.

 O imponderável bateu na trave duas vezes essa semana: o Santo André quase tirou a taça do invencível Santos de Pelé, Kaká e Cristiano Ronaldo; um time peruano quase eliminou o melhor time da América. O futebol precisa de surpresas, de vitórias inacreditáveis. Sem elas, ele perde a graça, que nem o automobilismo na época em que o sapateiro alemão, o melhor de todos, esbanjava sua infinita superioridade.

 Os deuses do futebol certamente pretendem aprontar alguma. Penso porém em 2009. Final da Copa do Brasil. Em poucos minutos, o Corinthians estragou o jogo ao exigir do inimigo uma quantidade impossível de gols.

 No ano passado, o Corinthians subverteu sua tradição e conquistou um título sem maiores emoções. Sim, é triste admitir, mas ele merece ser punido. Se nesta noite houver um escolhido, este será o Atlético Mineiro,  numa história bonita, se incrível esforço e superação, uma história digna de John Ford.

P.S.: Se bem que em várias histórias do grande mestre, por mais que haja esforço e dedicação, o tom trágico não escapa aos protagonistas.

Na trave

Divertido, engraçado, um livro não só para os corintianos… foi isso que eu li sobre o novo livro de Washington Olivetto, Corinthians x Outros. Fui na onda e dei com os burros n’água.

Há uma parte ficcional, em que o selecionado corintiano (Gilmar, Zé Maria, Gamarra, Roberto Belangero, Wladimir, Dino Sani, Fred Rincón, Marcelinho Carioca, Casagrande, Sócrates, Rivelino, Ronaldo, Neto e Teves) enfrenta grandes adversários como o Santos, o Flamengo e o Palmeiras. Ainda que não seja original (a revista Placar havia feito brincadeira similar quando o alvinegro conquistou o mundial da FIFA em 2000), trata-se de uma sacada interessante, que poderia se tornar muito atraente se não apelasse tanto e tão mal para uma inverossimilhança sempre pró-Corinthians. Exemplos? O atacante são-paulino Canhoteiro não ganha uma jogada sequer do lateral Zé Maria; Cristiano Ronaldo assume o estereótipo lusitano que tanto alegra as rodas de piadas tupiniquins; Zico se torna um mero apreciador de Marcelino Carioca (oh, heresia!).

A melhor parte do livro são as ótimas biografias realizadas com a preciosa ajuda do jornalista Celso Unzelte. Elas nos ajudam a visitar diversos períodos do futebol brasileiro. Desde sua época mais varzeana, com Luizinho e Cláudio (os quais, aliás, juntos com Basílio Biro-Biro, formam os “injustiçados” do selecionado corintiano) até os atuais tempos globalizados, em que dólares russos [sic-me!] trouxeram Carlitos Teves à fiel torcida; vemos histórias de heroísmo e tragédia, como a de Castilho, goleiro do Fluminense (um ídolo de cada equipe adversária também é biografado), e também de engajamento político (o trio da democracia corintiana Sócrates, Casagrande e Wladimir). Que sirva de estímulo para publicações similares!

Porém, para fazer justiça, é preciso reconhecer que há sim momentos de bom humor no livro.  Meus preferidos são quando Marcelinho comemora um gol gritando “Viu o milagre que eu fiz, Jesus?” e quando Rincón tenta bater em Romário por causa do inesquecível elástico que este aplicou no volante Amaral. Olivetto tem cultura e mão para escrever um ótimo livro que interesse a todo torcedor, neste quase conseguiu.