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Formas ligeiras

“A bom entendedor, meia palavra: bos-” (José Paulo Paes, Cambronniana)

Quando entrei no blog da Paula e li “Um bom diálogo só ocorre quando o interlocutor completa as reticências da“, tive de me lembrar do poeta de, enfim, duas pernas. Além dos aforismos, ele também cultivava divertidos [?]epigramas como “Para quem pediu sempre tão pouco / o nada é positivamente um exagero” (Auto-epitáfio nº 2). O gosto pela síntese, que aparece em forma e conteúdo na sua curta Poética (“conciso? com siso /prolixo? pro lixo”), ispira-nos às formas curtas, breves, ligeiras.

 Quando a Paula desviou levou os olhos ao vergel em busca de ramos para um bonsai, talvez ela tenha pensado no assunto ou sentido-lhe a presença; enfim, saber a resposta importa menos que apreciar o galho em solitária formação. Dos haikais que ela produziu, um chamou-me rapidamente a atenção pela leveza com que ela toca o tema, distorcendo o lugar-comum de nossas expectativas, levando-nos a um inusitado jogo semântico. Explicar, além disso, me parece algo como querer endireitar o tronco da pequena árvore, profanar o koan. Buscar entendê-lo é melhor que banalisar seus sentidos:

Uma vida que
de repente acaba é
sorte, não é morte.