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amizade descolorida

Meia década atrás, quando a trilogia de O senhor dos anéis levou milhões de pessoas ao cinema, surgiram diversas piadas e “insinuações maldosas” em torno da suposta relação homossexual entre o protagonista, Frodo, e seu amigo, Sam. Isso me chamou a atenção por, no mínimo, dois motivos: Em primeiro lugar, não há nada no filme que nos dê o direito de afirmar taxativamente que os dois amiguinhos sejam afeminados. Em segundo lugar, mesmo assim as piadas surgiram.

Mataríamos a charada investigando o perfil das pessoas encarregadas de levar a piada adiante? Provavelmente não, pois aqui até mesmo pessoas íntegras e decentes, afeitas a um notável cultivo de um senso crítico merecedor, como não?, do nome, dificilmente recusam um sorriso, humoroso ou sarcástico, às situações que o pedem.

Eu, porém, não vejo tanta graça na situação. Mesmo quem não se incomoda com o problema da homofobia deveria se preocupar com o desapego individual que o exemplo revela. Sim: desapego individual. Afinal, quando uma sociedade permite que homens em grupo se divirtam, mas lança olhares desconfiados quando dois homens trocam palavras, ideias e sentimentos, temos sem dúvida alguma uma cultura da massificação. Em grupo, nesse tipo de grupo ao menos, não há indivíduos, mas sim pessoas que ecoam lugares-comuns que previsivelmente alegrem os demais integrantes do grupo. Somente numa relação mais próxima, mais íntima, o indivíduo consegue se revelar sem a capa do estereótipo coletivo.

Sim! Claro! Tudo coisa de viado! – pensarão. Ok! Numa sociedade em que o pensamento (sic) de massa predomina sobre os interesses individuais, tal resposta é mais do que previsível. Ninguém disse que é fácil encontrar um interlocutor.

Preconceito Explícito

Stephanye Mariano Figueiredo

Desde a consolidação dos ideais iluministas na sociedade, o direito à liberdade é considerado como algo inerente ao homem. Nem sempre, porém, tal pensamento condiz com a realidade vivida pelas minorias homossexuais. Filmes, peças teatrais e novelas, apesar de cada vez mais evidenciarem relacionamentos entre indivíduos do mesmo sexo e as dificuldades pelas quais eles passam ao se assumirem diferentes, não só temem o preconceito alheio, mas também são muitas vezes censurados por aprofundar um tema que ainda fere princípios da maioria.

O homossexualismo sempre esteve presente na história, ora bem aceito, ora mal visto. Em Esparta, durante o período clássico grego, ilhas onde havia apenas mulheres ou homens, para treinamentos militares, favoreciam o surgimento de relacionamentos homossexuais, sendo que esses eram vistos com normalidade pela sociedade. Por outro lado, na Idade Média, minorias, desde mulheres insubmissas até os acusados de sodomia, eram queimadas em fogueiras por serem considerados enviados de forças malignas. Mesmo agora, na era da tecnologia, a qual deveria – em tese – favorecer a difusão do conhecimento e da tolerância, ainda há exemplos de como o homossexualismo enfrenta preconceitos.

Governantes e religiões costumam impor inúmeras limitações quando direitos homossexuais são discutidos. A união matrimonial é ainda julgada com certo viés, sendo proibida e condenada pelo Cristianismo, que mantém a idéia de que o homossexualismo é uma doença a ser erradicada, mesmo pregando a igualdade dos homens perante a lei de Deus. Tal preconceito também ocorre em países democráticos e livres, como os Estados Unidos, onde o atual presidente, George W. Bush, manifesta claramente sua oposição ao casamento gay, pois esse romperia a santidade de tal tradição.

Portugal, por meio da “União de facto”, e Holanda, com sua política liberal, são alguns dos poucos países que já aceitam e respeitam as preferências sexuais de cada cidadão, aprovando o matrimônio, adoções e manifestações públicas de afeto ente homossexuais. Filmes como Paris, te amo, dirigido de maneira coletiva com diretores de diversos países e Transamérica, de Duncan Tucker, em que a sexualidade das personagens são analisadas de maneira livre de preconceitos, evidenciam que a coexistência entre gays e heterossexuais é possível. Entretanto, para a concretização desse convívio mais harmonioso, é necessário o abandono de dogmas obsoletos e julgamentos infundados, o que não é simples para sociedades que ainda utilizam a palavra gay na tentativa de ofender aquele que deveria ser visto como seu semelhante.