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Ler e transformar

Rafael Z.

A leitura é algo de elevada importância para o ser humano. Por meio dela, entramos em contato não só com informações oriundas das mais diferentes culturas, das mais variadas épocas, mas também com as mais diversas formas de conhecimento. Todavia notamos que, cada vez mais, o hábito da leitura torna-se incomum, impopular. Isso traz sérias sequelas à formação intelectual das pessoas, refletindo também por toda sociedade.

Ninguém nasce apto à leitura. Se o primeiro contato com a língua é algo que nos ocorre de maneira automática (estamos sempre envoltos por códigos e fenômenos da linguagem), a qualidade da leitura requer dedicação, tempo e concentração – cultivá-lo, portanto, não é fenômenos nada espontâneo. De fato, a formação de leitores depende de estímulos e incentivos que demonstrem a importância da leitura. Ao constatarmos que o número médio de livros lidos por habitante no Brasil é baixo quando comparado a países como Alemanha, Chile ou Argentina, por exemplo, percebemos que, em nosso país, o hábito de ler não é devidamente impulsionado.

A falta de leitura gera inúmeros problemas: ao passo que é reduzido o consumo de literaturas (sejam científicas, literárias etc.), restringe-se a gama de informações à qual tem acesso a população; limitam-se o conhecimento e a capacidade de reflexão acerca dos mais variados assuntos; condena-se um grande número de pessoas à ignorância. O final desse ciclo tende a criar uma situação em que há uma massa de pessoas privada de uma consciência reflexiva mais aprofundada, incapaz de ser um elemento transformador de sua própria realidade.

A leitura, por sua vez, oferece ao ser humano a oportunidade de, a partir dos mais variados pontos de discussão, desenvolver a reflexão crítica. Assim, conforme entramos em contato com um grande número de literaturas, ampliamos nossas bases intelectuais e, podemos de fato, posicionarmo-nos frente a determinado assunto e compreendermos o contexto em que estamos inseridos – para perpetuá-lo ou contestá-lo, como seja.

A leitura é importante – fato incontestável. Contudo, seu poder transformador certamente não é algo muito difundido. Com efeito, a leitura, ao libertar da ignorância, ao fomentar o pensamento crítico, reflete possibilidades de mudanças na realidade individual e coletiva das pessoas. Portanto, estimular o hábito da leitura – com doação de livros, bibliotecas itinerantes e discussões de grandes obras, por exemplo – pode ser um grande passo no sentido de transformar a realidade adversa que se apresenta a inúmeros habitantes do nosso país.

Homens e livros

Débora Coutinho (binhacoutinho@yahoo.com.br)

 

Integrar-se, eis uma das inúmeras buscas do indivíduo. Há entre nós a necessidade de interagirmos com o coletivo, e a principal ferramenta que utilizamos para nos interligarmos é a comunicação. Em primeira instância nos valemos do choro, e com o passar dos anos rebuscamos essa comunicação com o auxílio da fala e, por fim, da escrita. A leitura não só nos integra como participa direta ou indiretamente da nossa própria evolução individual; por isso mesmo ela se torna um pilar fundamental da nossa sociedade.

 

É notável a fragilidade desse pilar, uma vez que grande parte da população atual não se inclina à leitura, preferindo a cultura do “ágil, fácil e pronto” dos domínios da internet. Essa substituição é preocupante, pois interfere nos planos socioculturais da humanidade. A cultura massificada que não valoriza a leitura ameaça a compreensão dos mecanismos sociais nos quais estamos inseridos.

 

Ler possibilita ao indivíduo expandir sua concepção de mundo, aproximando culturas, permitindo a tolerância e o conhecimento ao que nos é estranho. Faz-nos questionar posições (e imposições), tira-nos da inércia do consumismo puro e inconsciente e nos motiva a procurar respostas.

 

Integrar-se não se resume a aceitar conceitos. Talvez provenha daí a insatisfação que assola a todos hoje em dia. Integração requer estudo, análise conhecimento, e nada disso é possível de se obter em sua totalidade sem a leitura. Esta insere o indivíduo na humanidade, tornando-o consciente de suas responsabilidades, permitindo assim as mudanças. São estas últimas, aliás, as alavancas para a evolução da sociedade, pois permitem a concretização dos erros e dos acertos que nos regem e que nos regerão.

 

Os livros nos possibilitam um amadurecimento através da “vivência” de experiências que talvez nunca nos ocorresse. Aquele que lê amadurece intelectualmente e compreende o mundo com menos dificuldade a partir do momento em que se despe de preconceitos. Só se livra dos preconceitos quem se aventura em culturas que lhe são estranhas. Afinal, está aí o principal papel do livro: apresentar os seres humanos uns aos outros.

 

Uma vez apresentados, é possível iniciar o diálogo, compreender impasses, buscar soluções. A leitura nos integra e nos permite evoluir. Para o desenrolar da nossa História, precisamos não só de homens que vivam, contestem, errem e aprendam, mas também de livros que nos recordem os feitos e que nos inspirem ações ou reações novas. Em suma, como diria Monteiro Lobato: “um país se faz com homens e livros”.